domingo, 28 de junho de 2009

O horóscopo e o sonho

Nada melhor do que, num domingo de manhã, sentar ao sol com alguma leitura e um chimarrão. A leitura pode ser, eventualmente, o jornal do dia. E nele lá está o horóscopo que eu, como católica, nem deveria olhar. Mas olho. Não que eu acredite em previsões, mas uma olhadinha só não faz mal a ninguém e muitas vezes nos faz pensar. E foi assim que li, hoje, que “a maior parte das mudanças que estão atingindo sua vida não dependem de você”. Ou seja, a minha vida. Daí, me preocupei. Por duas coisas. Primeira: se não dependem de mim, dependem de quem? Segunda: então, nada do que eu fizer ou decidir vai ter algum efeito? Bom, se era para pensar, tem aí um bom material.
E nessas divagações lembrei de dois sonhos que tive há poucos dias, que uma amiga chegada a assuntos psicológicos e holísticos me ajudou a interpretar. Sonhei que cheguei perto de um barranco que ia dar num rio e resolvi pular para a outra margem. Acontece que depois de pular vi que a outra margem era tão distante, mas tão distante que eu jamais a alcançaria com meu pulo. E que eu estava tão alto que a queda seria inevitável. Comecei a cair no vazio, com aquela típica sensação de cair em sonhos, quando de repente fiz um esforço e consegui cair perto da margem de onde fui nadando até sair. Minha amiga holística me disse: você não costuma usar pontes? Por que para atravessar o rio, você não procurou uma ponte?
Me fez pensar o óbvio. Será que ando querendo pular etapas? Talvez na ânsia de chegar ao outro lado, na vida real leia-se aos meus objetivos, estou dando saltos muito impossíveis? Então seria o momento de rever tudo, ou recomeçar indo devagar e sem grandes saltos no vazio? Eu, sempre parecendo ou querendo ser tão sensata, não vi isso antes? Que existem alternativas. E me dobro às evidências, tenho um caminho a percorrer, um caminho que só eu posso trilhar. Mas um caminho a ser percorrido sem pressa de chegar ao “outro lado do rio”, meditando e vendo a vida mais devagar, com todas as suas nuances e principalmente construindo e atravessando pontes.
Num outro sonho, anterior a este, sonhei que estava num lugar com umas pessoas, num morro de terra que começou a desmoronar. Eu via pessoas e um padre idoso caindo e sobre ele um monte de pedrinhas. Daí fugi, morro acima. Era tipo um barro vermelho e havia uns buracos. Eu precisava achar uma saída. E via, pelos buracos (muito pequenos) que tinha alguém do outro lado me esperando. Parecia uma professora e mais algumas pessoas. Tentei cavar com as mãos, mas era muito pequeno para eu passar. Comecei a colocar a mão por baixo e levantar a terra e ela ia se abrindo e aumentando o buraco e aí eu poderia passar. Isso ia me dando um alívio, um ar puro, mas eu tinha que ir tirando a terra daquela maneira, com minhas mãos, abrindo caminho.
Depois desse sonho fiquei pensando, no tumultuado dia, se não era isso a me esperar. Abrir meu próprio caminho. Mais uma vez minha amiga holística veio em meu socorro e disse achar que a vida devia estar me dando um cansaço (querida ela). Por que, abrir buraco com as mãos até que se possa respirar! Interessante o fato de a professora estar esperando do outro lado. Quem seria ela? O que representa uma professora? Sabedoria? Seria essa a busca? O que seria o padre velho rolando e caindo pedrinhas em cima dele? Seria enterrar velhos preceitos e maneiras para encontrar a espiritualidade? Talvez o sonho se remeta apenas a uma busca pela espiritualidade, trocar o velho por uma maneira nova de entender o Divino.
De qualquer modo, cavando buracos e abrindo caminhos com as próprias mãos ou procurando pontes, penso que devo acreditar mais nos meus sonhos do que no horóscopo. O horóscopo, à falta de coisa melhor, serviu para dar o pontapé inicial nessa filosofia toda. A força de vontade para buscar soluções, construir pontes para atravessar ou atravessar as já construídas, depende de mim. Isso não é novidade, mas fica meio esquecido até que num sonho a gente entenda o recado. A vida é entrelaçada a todos com quem convivemos e nossa individualidade fica muitas vezes escondida e outras vezes confundida, mas não se pode abrir mão do livre arbítrio, de sermos nós mesmos a nos conduzir pelos caminhos que a vida nos apresenta. Ou não?

sábado, 27 de junho de 2009

Muitas vezes nossa maior qualidade pode ser também nosso maior defeito.

Homens sérios

Está em pauta uma frase pronunciada pelo padre Thomassin em recente seminário pela segurança, realizado em Sapiranga: “se os homens de bem nada fizerem, os maus o farão”.
Paralelamente, o professor Cristiano Max, da Feevale, ensina que existem três tipos de personalidades criativas: o perfeccionista, o pragmático e o visionário. Resumidamente: o perfeccionista é aquele que executa, o que gosta de fazer as coisas e vê-las sendo realizadas. Vive o tempo presente e vai resolvendo os problemas de execução. O pragmático é o planejador. Porque se vale de suas experiências, relaciona-se com o passado, mas sabe antecipar os acontecimentos. O visionário, por sua vez, é o sonhador, aquele que planeja o futuro, o que vai acontecer daqui a alguns anos.
Cada tipo possui, contudo, um lado negativo. Assim, o perfeccionista/executor tende a acreditar que ninguém faz melhor do que ele; o pragmático/planejador pode virar um burocrata, porque não imagina que algo vá dar certo sem planejar e desse modo não deixa as coisas fluírem; e o visionário pode se tornar imperativo, muito categórico.
O ideal seria que todos tivessem um pouco de cada um dos tipos, e realmente existem algumas pessoas que são assim. Mas a prática demonstra que as pessoas costumam ter um traço dominante. E que, fatalmente, todos temos características de pelo menos um dos tipos.
Postos estes dados, cabe uma reflexão sobre a importância do trabalho em equipe, ou seja, realizado com a colaboração de vários tipos de personalidades criativas, com suas nuances positivas e negativas. Imaginem, um dos integrantes do grupo sonhando soluções para um futuro próximo, outro planejando as ações necessárias e um terceiro executando! É o máximo da eficiência ...
Isso pode ser aplicado aos mais diversos empreendimentos, sejam públicos ou privados. A variedade de tipos envolvidos na consecução de um projeto o tornará viável. E assim, com essa riqueza de material humano e ferramentas de trabalho, não há como “nada fazer”. A interação entre os diversos participantes de um projeto ou de um empreendimento, fará com que se criem as condições necessárias para o surgimento de bons resultados.
E os “homens sérios” que reclamam de que nada está sendo feito para modificar a realidade atual tem a oportunidade de participar, de contribuir, uma vez que a diversidade aponta para a solução. Mas nada acontecerá e nada será feito se continuar havendo acomodação, a pretexto de ficar esperando que os outros façam sua parte. Ou ficar apenas criticando ações que não deram certo. Talvez não deram certo porque faltou sua participação; talvez faltasse um dos tipos de personalidade criativa para “deslanchar” o negócio.
No cenário atual, muito se fala de que falta envolvimento de pessoas de bem no que se refere a causas sociais, política e outras áreas, o que dá margem e oportunidade aos “maus” de atuarem livre e impunemente. Pois bem, a meu ver isso é verdade. Sobram críticas aos que pelo menos tentam interferir de alguma forma no desenrolar dos acontecimentos e não faltam aqueles que dizem “isso não é para mim”. É para quem então? Para os escolhidos, talvez? Que escolhidos? Por quem escolhidos? É de se perguntar, ainda: será que eu, pelo menos, escolho?
É muito mais fácil proteger-se atrás da condição de cidadão-honesto-e-trabalhador-que-nada-pode-fazer do que dar sua cara a tapa, abraçando uma idéia, uma causa. É óbvio. Mas será que é correto? Que seriedade é essa, “homens sérios”, que passa despercebida pelo envolvimento com as coisas de seu tempo e pela dor do irmão e se escusa de se incomodar, de realizar ou pelo menos dar sua parcela de contribuição para transformar a realidade em que vivemos em algo mais humano e sustentável?

Iara Averbeck

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Se faltarem palavras...

Se faltarem palavras, no dia dos apaixonados, dedique uma música a alguém, como esta de Oswaldo Montenegro. A letra é esta. A música você ouve no http://www.youtube.com/watch?v=szZANoqGXhg

Por Brilho
Oswaldo Montenegro

Onde vá
Onde quer que vá
Leva o coração feliz
Toca a flauta da alegria
Como doce menestrel

Onde vá,
Onde quer que eu vá
Vou estar de olho atento
A tua menor tristeza
Ou no teu sorriso fugaz
Onde vá
Vá para ser estrela
As coisas se transformam
E isso não é bom nem mau
e onde quer que eu esteja
O nosso amor tem brilho
vou ver o teu sinal

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A liberdade tem preço.

Possibilidades de escolha são múltiplas, infinitas. Nunca foram tantas e nunca o ser humano esteve tão indeciso. A ruptura de padrões parece ser uma constante, mas um tanto sem fundamento legítimo. Escolhe-se o novo só pelo novo, rompendo-se com o anterior, o antigo, sem maiores considerações. A criação é uma necessidade urgente. É preciso criar, criar e criar. Mas, aonde chegaremos? E o que fazer com o já criado e ainda não utilizado? Bens, conceitos, idéias, projetos, tudo sempre novo. A reflexão sobre o já existente comparativamente com a novidade vem trazer uma certa dúvida, um novo questionamento. Importa, contudo, a liberdade. Porque nem o novíssimo, nem o mais arcaico ou o conservador serão perfeitos para todos. Há que se ter o direito de escolha e o também direito de escolher errado, às vezes. Ninguém pode se arvorar o direito de escolher pelo outro. Mas a liberdade tem um preço: o preço da responsabilidade.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

DE MÃE PARA MÃES

Mãe-agricultora, que vai plantando as sementes do bem...
Mãe-professora, que ensina os caminhos da vida...
Mãe-médica, que cura até as feridas da alma...
Mãe-advogada, que defende os filhos dos perigos do mundo...
Mãe-engenheira, que constrói pontes de afeto...
Mãe-bancária, que só não economiza incentivos...
Mãe-contabilista, que faz as contas fecharem no fim do mês...
Mãe-secretária, que agenda, relembra e faz cumprir compromissos...
Mãe-operária, que produz a riqueza da dignidade no trabalho...
Mãe-religiosa, que ora a Deus pelos filhos...
A profissional e a mulher se confundem para dar origem a um novo ser. O novo ser é a mãe e não o filho. O filho sempre existirá, a mãe talvez... Haverá mãe que não desempenhe o seu papel? Sim, haverá... Isto não é tão poético como desejaríamos, mas é real. Porque ser mãe, hoje mais do que nunca, é opção. E acima de tudo uma opção de coragem. Não basta dar a luz o filho. Há que se amá-lo, cuidá-lo, há que se educá-lo. Proteger, mas antes e também conduzi-lo ao caminho do bem. Ensinar que existem direitos, mas também existem deveres. Que o mundo não está aí para servi-lo, mas aguarda a sua presença e a sua ação transformadora, com integridade e lucidez.
Mãe do filho que ri, do filho que chora e do filho que adora...
Mãe do filho trabalhador, daquele que sonha e do que realiza...
Mãe do filho ausente, do filho preso, do filho surpresa...
Mãe do filho doente e daquele que já partiu...
Mãe jovem, mãe idosa, mãe pobre, mãe rica, mãe amiga, mãe voluntária, mãe política, mãe ecológica... Há espaço para todas as mães.
Em todas o mesmo traço, o mesmo afago, em todas o mesmo e único amor.
A mesma aflição: perdoem a falta de tempo, a falta de abraço, a falta de espaço, a falta de escolha.
E quando passarem os dias, avançarem os anos e a vida se tornar o presente de cada um, não fique esquecida aquela que, por vezes até nem tinha estudo, mas possuía a maior sabedoria que um ser humano pode alcançar: a do amor puro e genuíno, sem limites e sem distinção que se pode consagrar e oferecer a outro ser humano.
Não há diferença de filhos. Há igualdade entre as mães.

Iara Averbeck

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Gracias A La Vida

Composição: Violeta Parra (poetisa chilena)
lindamente cantada por Elis Regina

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dió dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el oído, que en todo su ancho
Traba noche y dia grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando

Gracias a la vida,que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dió el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto
Gracias a la vida