sábado, 25 de dezembro de 2010

Tarefas do ano novo

Estamos no mundo, mas o mundo inteiro está dentro de nós. Somos o ponto de partida. Quando paramos por um instante, percebemos que de nós dependem todas as ações, toda iniciativa e toda a direção que possamos dar à nossa vida. O mundo é a interpretação que damos a ele, aos fatos e situações a partir de nossas convicções, princípios e percepções. As coisas que fazemos são, em última análise, para proporcionar a nossa própria felicidade, mesmo que por vezes se confundam com uma atuação externa e voltada para diferentes interesses. Quando o nosso bem estar coincide com o bem estar dos demais, então temos o milagre da harmonia. Se eu não quero, até que eu mude de ideia, nada irá acontecer. Somos os protagonistas de nossa história. Ocupamos nada mais do que o nosso lugar neste mundo. E se não ocupamos, ainda há tempo para fazê-lo, porque esse lugar está vago, esperando por nós. Ninguém conseguirá ocupá-lo confortavelmente, porque ele tem o nosso específico formato. E não adianta atribuir a alguém ou algo as responsabilidades pela nossa própria felicidade, por mais que muitas vezes sejamos tentados a isso. Há coisas que são tão supérfluas que nem deveriam ser consideradas, mas que desviam do caminho original. Vaidades pessoais que representam a contramão de uma possibilidade.
Há tantas tarefas a serem desempenhadas, tantos planos a serem realizados, projetos a se concretizarem.
Quando fizeres algo, empenha tua alma nisso. Dedica tua vida, tuas horas de sono e de descanso. Não precisa ser chato a ponto de ninguém mais te aguentar. Mas seja tão verdadeiro que as coisas venham até onde estás, que te procurem as oportunidades. Acredita que tua ideia é a que é possível e o que há de concreto. O inesperado e o infortúnio não podem atrapalhar, porque contornáveis. Confie na intuição. Ela não tem explicação e nem lógica, mas é o caminho que tua alma conhece. Nem tudo se explica neste mundo.
O sucesso te espera nesse ano novo que desponta! Feliz 2011!!!

Uma alma enfeitada

O Natal deste ano parece estar um pouco diferente. Talvez não tenha me empenhado como nos outros anos em decorar a casa e o ambiente de trabalho com as coisas de Natal. Estive pensando, onde está o espírito natalino quando simplesmente compramos o enfeite pronto ou um objeto e o colocamos em algum lugar apenas para cumprir um compromisso? O que era bonito e nos dava ânimo, em nossa infância, era toda aquela preparação, aquela ânsia de chegar a data tão esperada. E junto com ela, muitas histórias, muitos mistérios... Fazer o pinheirinho... Eu disse “fazer”. Sim, havia todo um ritual envolvendo o “fazer o pinheirinho”: encontrar uma árvore adequada, adaptá-la ao lugar disponível, procurar as “bolinhas” e o presépio que desde o ano passado estavam guardados lá em cima do guarda roupa da mãe, e ai se alguém mexesse nele durante o ano. O cheirinho do cipreste, usado quando não havia pinheiro, as espetadas nas mãos, o suor escorrendo nos rostos empolgados de tanta animação, tanto trabalho... Como acomodar tantos enfeites numa única árvore? E depois de pronta, ficar caminhando em volta dela, só admirando o resultado. O tempo até parava.
Claro que é lindo e maravilhoso ver uma decoração natalina bem feita e harmoniosa, senão ninguém iria a Gramado e Canela para ver tanta beleza. Mas a “beleza” é linda na medida em que toca o coração da gente e das pessoas que nos são queridas. Assim, os encontros de final de ano, mais do que cumprir um compromisso são um momento de reaproximação e convívio entre aqueles que passaram o ano todo lado a lado, sem conseguir de fato parar um pouco para uma conversa, uma risada, um olhar mais próximo. É o calor da alma das pessoas que faz um Natal feliz. Aquela presença sentida e não só um contato superficial ou corriqueiro, mas as lembranças dos bons momentos e a esperança de que haja muitos outros, aquela vibração que sai do silêncio do coração e vai encontrar o outro Que neste Natal possamos enfeitar, além de nossas casas e festas, a nossa alma com sentimentos de amor, solidariedade, paz e harmonia, porque isso ficará vivo para sempre dentro de nós e das pessoas que queremos bem.

A família não quer olhar para si

O que está acontecendo com nossos jovens e nossas escolas? Fogo na Escola Genuíno Sampaio, de Sapiranga; um professor morto a facadas por um aluno em sala de aula, em Belo Horizonte; tráfico e consumo de drogas dentro do pátio de uma escola. O que mais podemos esperar? Alunos que enfrentam os professores e colegas dizendo que “não dá nada”... Ouvi o relato de uma professora, de que um aluno conta como vantagem que o pai o incentiva a reagir, a revidar em caso de ser agredido. O problema é que este aluno já sai batendo nos outros, mesmo sem ter sido agredido. Que prevenção é esta de agredir para não ser agredido? Muito já se comentou, estudou e constatou sobre o papel da família na educação e formação da criança. A família é o primeiro ninho, a primeira escola, o espelho que dará a dimensão da interação da criança e do jovem com o mundo. Quando a família falha, de alguma maneira, perdeu-se a primeira chance de socialização adequada.
Existe uma crença (ou seria crendice?) de que a crianças e jovens nada acontece em caso da prática de algum delito. Contudo, não é bem isso que diz a Lei. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê em seu artigo 112 que “verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá aplicar ao adolescente as seguintes medidas: advertência; obrigação de reparar o dano; prestação de serviços à comunidade; liberdade assistida; inserção em regime de semi-liberdade; internação em estabelecimento educacional; encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade; orientação, apoio e acompanhamento temporários; matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental; inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança e ao adolescente; requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial; inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos; acolhimento institucional; inclusão em programa de acolhimento familiar; colocação em família substituta.” Também refere a lei que amedida aplicada ao adolescente levará em conta a sua capacidade de cumpri-la, as circunstâncias e a gravidade da infração. Porém, em hipótese alguma e sob pretexto algum, será admitida a prestação de trabalho forçado.
Quando a família delega à escola a obrigação de educar, mas tira do professor toda a autonomia necessária colocando-o na posição de subalterno perante o aluno que “tudo pode, pois não dá nada”, corre o risco de ao invés de formar cidadãos, entregar à sociedade "elementos".
É triste, mas é verdade.

Teóricos & práticos

Dizem que não se casam muito bem. Os teóricos conhecem toda a explicação, toda a doutrina e todas as comparações. Sabem como fazer a partir do que estudaram, e isso lhes dá uma boa dose de certezas. Os práticos, teoricamente, seriam aqueles que realizariam concretamente o que lhes foi ensinado na teoria e também aquilo que descobriram “na prática”, por experiência própria. Sabem fazer porque, de tanto que já fizeram, aprenderam na marra. Assim sempre foi feito e assim sempre será.
Na teoria tudo tem jeito, tudo deveria funcionar bem, se cumpridos os pressupostos. Mas na prática, nem sempre é assim. Há ocasiões em que só usando um sexto sentido ou um recurso diferente se consegue obter um resultado. Tem indivíduos que só se dedicam a teorias. Para eles não é possível algo não dar certo se forem seguidas todas as instruções. Experimente dar um controle remoto diferente para um teórico. Ou um aparelho qualquer. Ele vai seguir todas as instruções e se não funcionar vai buscar mais informações ou fundamentos, a fim de entender o que está se passando. O prático vai fuçar até que descubra o segredo. Vai tentar procurar alguma coisa que lhe dê uma pista por comparação e se não encontrar, vai inventar algum... atalho. A teoria é como uma equação matemática onde quatro é a soma de dois mais dois. Mas pode ser também a soma de três mais um. A prática aconselhada pela teoria faz bonito. E vice versa. Mas poucas vezes uma se deixa influenciar pela outra. Ambas estão convictas, concentradas em seus atributos. Os práticos alegam a experiência, os teóricos o conhecimento. No entanto, é pela junção dos dois que o mundo progride.

sábado, 20 de novembro de 2010

Coração, juventude e fé...

O estudante é alguém por dentro do que acontece no mundo. Quem não estuda está “por fora” de tudo. Foi mais ou menos isso que ouvimos, meus colegas de 8ª série e eu, de uma professora, no final dos anos 70. Naquela época a obrigatoriedade do estudo era relativa e por isso havia alguns jovens que às vezes se desviavam e sem mais nem menos, abandonavam a escola. Uns para ir trabalhar, outros para fazer nada ou sabe-se lá o que. Mas a professora tinha visão e procurava incentivar os alunos a concluírem seu aprendizado. Para a maioria, porém, nem passava pela cabeça a ideia de não mais frequentar as aulas. Tinha-se uma convicção de que estudar era a única maneira de ser alguém na vida. Para muitos, era mesmo. E nos apegávamos com unhas e dentes à oportunidade de poder estudar numa escola pública, mesmo com todas as dificuldades que havia.
Hoje, a lei é bem mais severa e existe punição aos pais que não mandam seus filhos menores à escola. Com isso, busca-se uma valorização da educação.
Mas a alma dos jovens é diferente. Sempre foi. Tem sede de futuro, anseia por novas experiências, quer protagonizar mudanças e conquistar a independência. Tem fé na humanidade. Por vezes, deseja se rebelar, desviar o seu destino.
A questão é que nem sempre damos o devido valor às coisas, na hora em que as estamos vivendo. Assim, o arrependimento de não ter estudado pode aparecer muito tempo depois, um longo tempo, que poderá até ser recuperado, mas que foi preciosamente perdido...
A vida é uma escola e passamos o tempo todo aprendendo. Porém, a frequência a um lugar em que a realidade é atualizada e esmiuçada diariamente, onde mestres e alunos convivem num ambiente de companheirismo e camaradagem, dividindo percepções, idéias e opiniões e, porque não, sonhando com um futuro melhor, só vem a enriquecer a vida. É a magia do saber... Talvez porque o estudante se sinta em igualdade de condições com seus pares. Todos com objetivos a alcançar. Amizades que se leva prá vida. Lições que podem frutificar. “E há que se cuidar do broto, prá que a vida nos dê flor e fruto...”

“Sim, a mulher pode!”

Independentemente de ter ou não ter votado nela, não dá prá negar: é um orgulho para a classe feminina uma mulher ter se tornado presidente do Brasil. A primeira a chegar lá. Apesar de toda a polêmica em torno de sua candidatura ela soube tirar de letra a situação e alcançou o mais alto cargo/posto político da nação. Enérgica e decidida, talvez tenha frustrado a expectativa de quem esperasse um tratamento mais ameno, por se tratar de uma mulher. Talvez os eleitores esperassem uma senhora simpática e cheia de reverências, no alto de seus sessenta e poucos anos. O fato é que Dilma, a presidente eleita, mostrou ser muito mais do que uma simples candidata a um cargo político. Resolveu vestir a camiseta e apresentar ideias e propostas concretas, dizer sua opinião e manifestar sua vontade de governar o país. Criticada por alguns pela falta de tato, disciplinou-se e encontrou a sua maneira de lidar com o público.
Aliás, é interessante como às vezes se espera o desempenho de uma mulher: que seja profissional só até onde não venha a ferir os brios de uma sociedade, ainda não muito acostumada com a mulher em posição de comando. E uma mulher que expressa livremente suas opiniões e opções e, mais do que isso, vai à luta mostrando que sabe o que quer, então, pode ser um perigo! Deixando de lado considerações acerca do feminismo, o episódio das eleições foi algo desafiador. Ninguém sabe muito bem como serão os próximos quatro anos. Como ninguém poderia ter certeza, se fosse vencedor o outro candidato. O tempo é o senhor da razão, já disse alguém outrora. Mas a fibra e a coragem desta mulher que venceu inclusive uma doença deverão ficar gravadas na memória dos brasileiros e brasileiras. O ineditismo de sua conquista também. Seus desafetos continuarão a minimizá-la, seus correligionários e apoiadores a admirá-la. Afinal, ninguém consegue agradar a todos, sempre. Porém, a grande maioria do país tem esperança nela. Uma coisa, no entanto, é certa: a mudança de quase tudo aquilo que reclamamos e achamos ruim passa pelo Congresso. E quem coloca esse povo lá somos nós.

Talento de primeira

Há 60 anos, precisamente no dia 04 de novembro de 1950, nascia em Sapiranga, Arione Regina de Oliveira, irmã do Ari, filha da Nelcila e do Ervino Ermel. A origem do nome “Arione” é grega e significa aquele que tem energia, “Regina” vem do latim e significa rainha, e “Oliveira” é uma árvore que nos alimenta. Atributos facilmente encontrados nesta sapiranguense de coração.
Seu grande desejo, desde pequena, era poder desenvolver o talento musical, que já era nato. Mas a família não tinha condições de transformar as aulas de piano com a Gessi Dresch em um futuro profissional. Eis que, então, o destino dá uma “mãozinha” e seu Ervino acerta na loteria. Com o dinheiro do prêmio puderam comprar um piano. Definitivamente estava dado rumo à vida da Arione, que se formou em música na UFRGS, em Porto Alegre.
Arione deu aulas na Escola Evangélica de Ivoti, junto com o famoso professor Naumann. Mais tarde, ajudou Terezinha Cardona a estruturar a Fundarte de Montenegro. Guerreira, morava em Porto Alegre e ia dar aulas nestes lugares, grávida, encarando longas viagens de ônibus, chovesse ou fizesse sol.
Na adolescência fez parte da Juventude Evangélica de Sapiranga, onde os amigos eram muito unidos. Realizavam passeios, acampamentos, serenatas, estavam sempre juntos, nem que fosse para ficar sem fazer nada. Foi ali, na Juventude, que Arione conheceu o Nelson de Oliveira, com quem se casou e teve seus três filhos (Ana Amélia, Fernanda e o primogênito Gustavo).
Ainda na adolescência, Arione e mais a amiga Vera Schoenardie, que colaborou com estas informações, passaram parte de suas férias nas Aldeias Cristãs SOS, fazendo um serviço voluntário numa das casas. Aliás, coube à Arione a árdua tarefa de tentar ensinar um pouco de música à Vera, através da flauta. Segundo a própria Vera, parece que foi um de seus raros fracassos...
Evento memorável para a amiga Vera foi a entrada, ao som de Beethoven, do casamento com o Eurico, tocada pela Arione no maravilhoso órgão de tubos da igreja evangélica de Sapiranga.
Durante alguns anos, Arione morou em Campina Grande, na Paraíba, para onde o marido foi transferido pela empresa Azaléia Calçados. Bons tempos de riqueza musical naquelas paragens.
Voltando ao sul, Arione assumiu a regência do coral da Azaléia, quando morava em Parobé. Já naquela época era bem envolvida na comunidade, sempre ajudando na parte da música.
Arione também foi professora na Escola Evangélica Duque de Caxias, em Sapiranga. Nos últimos anos tem se dedicado às aulas particulares de piano, tendo revelado alguns talentos especiais, como o Luiz Carlos Klein Junior (Tuta).
Participou também das filmagens do longa “Jacobina”.
Arione gosta de desafios, como mostra sua biografia. No momento encara, com coragem, a tarefa de ensaiar e botar ordem no Grupo Vocal “De Boca Aberta”, composto por amigas que se reúnem semanalmente para cantar, e que eventualmente se apresentam em eventos musicais da cidade e arredores.
Tolstoi tem uma frase muito apropriada: “Se queres ser universal, fala da tua aldeia". Muitas vezes os talentos locais são pouco lembrados, mas na verdade são pérolas que se encontram muito perto de nós e às quais é preciso dar o devido valor. Arione tocando, cantando e ensinando em Sapiranga é um talento de primeira grandeza.