sábado, 27 de junho de 2009

Homens sérios

Está em pauta uma frase pronunciada pelo padre Thomassin em recente seminário pela segurança, realizado em Sapiranga: “se os homens de bem nada fizerem, os maus o farão”.
Paralelamente, o professor Cristiano Max, da Feevale, ensina que existem três tipos de personalidades criativas: o perfeccionista, o pragmático e o visionário. Resumidamente: o perfeccionista é aquele que executa, o que gosta de fazer as coisas e vê-las sendo realizadas. Vive o tempo presente e vai resolvendo os problemas de execução. O pragmático é o planejador. Porque se vale de suas experiências, relaciona-se com o passado, mas sabe antecipar os acontecimentos. O visionário, por sua vez, é o sonhador, aquele que planeja o futuro, o que vai acontecer daqui a alguns anos.
Cada tipo possui, contudo, um lado negativo. Assim, o perfeccionista/executor tende a acreditar que ninguém faz melhor do que ele; o pragmático/planejador pode virar um burocrata, porque não imagina que algo vá dar certo sem planejar e desse modo não deixa as coisas fluírem; e o visionário pode se tornar imperativo, muito categórico.
O ideal seria que todos tivessem um pouco de cada um dos tipos, e realmente existem algumas pessoas que são assim. Mas a prática demonstra que as pessoas costumam ter um traço dominante. E que, fatalmente, todos temos características de pelo menos um dos tipos.
Postos estes dados, cabe uma reflexão sobre a importância do trabalho em equipe, ou seja, realizado com a colaboração de vários tipos de personalidades criativas, com suas nuances positivas e negativas. Imaginem, um dos integrantes do grupo sonhando soluções para um futuro próximo, outro planejando as ações necessárias e um terceiro executando! É o máximo da eficiência ...
Isso pode ser aplicado aos mais diversos empreendimentos, sejam públicos ou privados. A variedade de tipos envolvidos na consecução de um projeto o tornará viável. E assim, com essa riqueza de material humano e ferramentas de trabalho, não há como “nada fazer”. A interação entre os diversos participantes de um projeto ou de um empreendimento, fará com que se criem as condições necessárias para o surgimento de bons resultados.
E os “homens sérios” que reclamam de que nada está sendo feito para modificar a realidade atual tem a oportunidade de participar, de contribuir, uma vez que a diversidade aponta para a solução. Mas nada acontecerá e nada será feito se continuar havendo acomodação, a pretexto de ficar esperando que os outros façam sua parte. Ou ficar apenas criticando ações que não deram certo. Talvez não deram certo porque faltou sua participação; talvez faltasse um dos tipos de personalidade criativa para “deslanchar” o negócio.
No cenário atual, muito se fala de que falta envolvimento de pessoas de bem no que se refere a causas sociais, política e outras áreas, o que dá margem e oportunidade aos “maus” de atuarem livre e impunemente. Pois bem, a meu ver isso é verdade. Sobram críticas aos que pelo menos tentam interferir de alguma forma no desenrolar dos acontecimentos e não faltam aqueles que dizem “isso não é para mim”. É para quem então? Para os escolhidos, talvez? Que escolhidos? Por quem escolhidos? É de se perguntar, ainda: será que eu, pelo menos, escolho?
É muito mais fácil proteger-se atrás da condição de cidadão-honesto-e-trabalhador-que-nada-pode-fazer do que dar sua cara a tapa, abraçando uma idéia, uma causa. É óbvio. Mas será que é correto? Que seriedade é essa, “homens sérios”, que passa despercebida pelo envolvimento com as coisas de seu tempo e pela dor do irmão e se escusa de se incomodar, de realizar ou pelo menos dar sua parcela de contribuição para transformar a realidade em que vivemos em algo mais humano e sustentável?

Iara Averbeck

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Se faltarem palavras...

Se faltarem palavras, no dia dos apaixonados, dedique uma música a alguém, como esta de Oswaldo Montenegro. A letra é esta. A música você ouve no http://www.youtube.com/watch?v=szZANoqGXhg

Por Brilho
Oswaldo Montenegro

Onde vá
Onde quer que vá
Leva o coração feliz
Toca a flauta da alegria
Como doce menestrel

Onde vá,
Onde quer que eu vá
Vou estar de olho atento
A tua menor tristeza
Ou no teu sorriso fugaz
Onde vá
Vá para ser estrela
As coisas se transformam
E isso não é bom nem mau
e onde quer que eu esteja
O nosso amor tem brilho
vou ver o teu sinal

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A liberdade tem preço.

Possibilidades de escolha são múltiplas, infinitas. Nunca foram tantas e nunca o ser humano esteve tão indeciso. A ruptura de padrões parece ser uma constante, mas um tanto sem fundamento legítimo. Escolhe-se o novo só pelo novo, rompendo-se com o anterior, o antigo, sem maiores considerações. A criação é uma necessidade urgente. É preciso criar, criar e criar. Mas, aonde chegaremos? E o que fazer com o já criado e ainda não utilizado? Bens, conceitos, idéias, projetos, tudo sempre novo. A reflexão sobre o já existente comparativamente com a novidade vem trazer uma certa dúvida, um novo questionamento. Importa, contudo, a liberdade. Porque nem o novíssimo, nem o mais arcaico ou o conservador serão perfeitos para todos. Há que se ter o direito de escolha e o também direito de escolher errado, às vezes. Ninguém pode se arvorar o direito de escolher pelo outro. Mas a liberdade tem um preço: o preço da responsabilidade.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

DE MÃE PARA MÃES

Mãe-agricultora, que vai plantando as sementes do bem...
Mãe-professora, que ensina os caminhos da vida...
Mãe-médica, que cura até as feridas da alma...
Mãe-advogada, que defende os filhos dos perigos do mundo...
Mãe-engenheira, que constrói pontes de afeto...
Mãe-bancária, que só não economiza incentivos...
Mãe-contabilista, que faz as contas fecharem no fim do mês...
Mãe-secretária, que agenda, relembra e faz cumprir compromissos...
Mãe-operária, que produz a riqueza da dignidade no trabalho...
Mãe-religiosa, que ora a Deus pelos filhos...
A profissional e a mulher se confundem para dar origem a um novo ser. O novo ser é a mãe e não o filho. O filho sempre existirá, a mãe talvez... Haverá mãe que não desempenhe o seu papel? Sim, haverá... Isto não é tão poético como desejaríamos, mas é real. Porque ser mãe, hoje mais do que nunca, é opção. E acima de tudo uma opção de coragem. Não basta dar a luz o filho. Há que se amá-lo, cuidá-lo, há que se educá-lo. Proteger, mas antes e também conduzi-lo ao caminho do bem. Ensinar que existem direitos, mas também existem deveres. Que o mundo não está aí para servi-lo, mas aguarda a sua presença e a sua ação transformadora, com integridade e lucidez.
Mãe do filho que ri, do filho que chora e do filho que adora...
Mãe do filho trabalhador, daquele que sonha e do que realiza...
Mãe do filho ausente, do filho preso, do filho surpresa...
Mãe do filho doente e daquele que já partiu...
Mãe jovem, mãe idosa, mãe pobre, mãe rica, mãe amiga, mãe voluntária, mãe política, mãe ecológica... Há espaço para todas as mães.
Em todas o mesmo traço, o mesmo afago, em todas o mesmo e único amor.
A mesma aflição: perdoem a falta de tempo, a falta de abraço, a falta de espaço, a falta de escolha.
E quando passarem os dias, avançarem os anos e a vida se tornar o presente de cada um, não fique esquecida aquela que, por vezes até nem tinha estudo, mas possuía a maior sabedoria que um ser humano pode alcançar: a do amor puro e genuíno, sem limites e sem distinção que se pode consagrar e oferecer a outro ser humano.
Não há diferença de filhos. Há igualdade entre as mães.

Iara Averbeck

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Gracias A La Vida

Composição: Violeta Parra (poetisa chilena)
lindamente cantada por Elis Regina

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dió dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el oído, que en todo su ancho
Traba noche y dia grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando

Gracias a la vida,que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dió el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto
Gracias a la vida
A ALMA DO JORNALISMO

O dia 07 de abril é dedicado a comemorar-se o Dia Nacional do Jornalista. A data foi instituída em 1931, pela Associação Brasileira de Imprensa, em homenagem ao médico e jornalista João Batista Libero Badaró, assassinado em 22 de novembro de 1830, por inimigos políticos. Na ocasião, sua morte gerou um forte movimento popular que culminou com a abdicação de D. Pedro I, no dia 07 de abril de 1831. Um século depois, em 1931, por conta deste acontecimento a ABI institui o dia 7 de abril como Dia do Jornalista.
De momento o que se discute, porém, é a extinção ou alteração da Lei de Imprensa, em vigor desde 1967. Dia 01 de abril foi colocado em pauta no Supremo Tribunal Federal (STF) o julgamento de ação proposta pelo PDT, em 2008, que pede a extinção da Lei de Imprensa, por considerá-la uma afronta à liberdade de imprensa, uma vez que a lei tem sido usada para processar jornalistas. Em fevereiro de 2008, por liminar, o STF suspendeu a vigência de 20 dos 77 artigos da referida lei. A votação foi adiada para 15 de abril próximo, ocasião em que será julgada também a obrigatoriedade do diploma para jornalistas.
Com diploma ou sem diploma, o fato é que a informação jornalística ocupa lugar essencial para o pleno funcionamento da democracia, garantindo a cidadania, e estando presente em diversas causas decisivas que podem refletir nos rumos de uma cidade ou nação. Assim, a credibilidade é a alma do jornalismo. Os meios de comunicação devem divulgar fatos de interesse público, com precisão e correção, sendo uma atividade de natureza social, não sujeita a qualquer tipo de censura, respeitados os ditames da ética.
Ao proferir seu voto, pela extinção total da lei, o Ministro do STF Carlos Ayres Britto lembrou que a lei de imprensa criada em 1967, em plena vigência do regime militar, é incompatível com a atual Constituição. Para ele: “Em matéria de imprensa, não há espaço para o meio-termo ou a contemporização. Ou ela é inteiramente livre, ou dela já não se pode cogitar senão como jogo de aparência jurídica. É a trajetória humana, é a vida, são os fatos, o pensamento e as obras dos mais acreditados formadores de opinião que retratam sob todas as cores, luzes e contornos que imprensa apenas meio livre é um tão arremedo de imprensa como a própria meia verdade”.

Parabéns a todos os profissionais do jornalismo que, nos dizeres de Fábio Santana:
• Dedicam a vida a proliferar a informação
• Vivem correndo atrás da informação
• Investigam a fundo seus objetos de estudo
• Apuram a informação conquistada
• Ficam a pensar em novas pautas nos momentos mais inusitados
• Não se limitam a buscar “o que?”, “quem?”, “quando?”, “como?”, “onde?” e “por que?”, mas, principalmente, o “e daí?”
• Atuam com ética, sempre
• Respeitam colegas, veículos, leitores e a própria notícia
• Mantêm a isenção jornalística
• Levam a verdade a público
• Lêem e relêem sua criação antes de levá-la a público
• Enriquecem seu acervo mental
• Aprimoram suas técnicas
• Absorvem conhecimentos
• Produzem com estilo e personalidade
• Se comunicam com as pessoas em todos os níveis
• Cultivam sua rede de informações
• Viram noites trabalhando
• Mas não se esquecem de sua família e amigos
• E, acima de tudo, que são apaixonados pela sua profissão.
Iara Averbeck
A FELICIDADE ANDA POR AÍ

"Dizem que a vida é curta, mas não é verdade.
A vida é longa para quem consegue viver pequenas felicidades.
E essa tal felicidade anda por ai, disfarçada, como uma criança tranqüila brincando de esconde-esconde.
Infelizmente às vezes não percebemos isso e passamos nossa existência colecionando nãos:
a viagem que não fizemos, o presente que não demos, a festa que não fomos, o amor que não vivemos, o perfume que não sentimos.
A vida é mais emocionante quando se é ator e não espectador; quando se é piloto e não passageiro, pássaro e não paisagem, cavaleiro e não montaria.
E como ela é feita de instantes, não pode nem deve ser medida em anos ou meses, mas em minutos e segundos.
Esta mensagem é um tributo ao tempo.
Tanto aquele tempo que você soube aproveitar no passado quanto aquele tempo que você não vai desperdiçar no futuro.
Porque a vida é agora...
Não tenha medo do futuro, apenas lute e se esforce ao máximo para que ele seja do jeito que você sempre desejou.
A morte não é a maior perda da vida.
A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos."
Texto: Dalai Lama